Após 228 anos (12 de agosto de 1798), a Revolta dos Búzios mostra que deixou legados importantes para as lutas sociais e políticas atuais. Também chamada de Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, esse levante popular ocorrido em Salvador destacou-se por defender o fim da escravidão, a separação do Brasil de Portugal e a instauração de uma República.
Para marcar a data, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da CTB promoveu um debate em formato híbrido (presencial no Sindicato dos Bancários e pela plataforma ZOOM), com Patrícia Valim, historiadora, professora e pesquisadora da Faculdade de Direito e do PPGNEIM UFBA. Na abertura, o cantor e compositor Adailton Poesia cantou músicas relacionadas com a Revolta dos Búzios.
"É importante debatermos esse tema. Vimos ali uma primeira aliança de classes sociais para formar um movimento transformador naquela época. A CTB tem a compreensão de que é importante resgatarmos, sempre, a história de lutas do nosso povo. Hoje, atuamos sob o legado dos movimentos libertários que aconteceram em séculos passados no Brasil", disse o titular da secretaria, Jerónimo Silva Júnior.

A presidenta da CTB Bahia, Rosa de Souza, afirmou que à Revolta dos Búzios tem uma importância histórica para a classe trabalhadora. "Ela inspirou as lutas daquele século e inspira as batalhas atuais. A professora Patrícia Valim nos deu uma aula Importante nesta noite, resgatando vários aspectos desse levante popular. A Revolta nos inspira para a luta atual pelo do fim da escala 6x1, pois tem relação com a busca de uma vida mais digna", destacou.

MOTIVAÇÕES E IMPORTÂNCIA
Patrícia Valim lembrou que a Revolta dos Búzios foi divulgada em papeis colados com cera de abelha nas paredes das ruas de Salvador. "A população amanheceu sabendo que haveria uma revolução popular. O manifesto foi feito por 676 pessoas, sob o desejo de liberdade. É importante ressaltar a participação de várias mulheres. A luta na Bahia teve alcance mundial, impactando vários países, como França, Portugal, Angola e outros", frisou.
Segundo a professora, a ação foi motivada por vários fatores: extrema pobreza e a fome em Salvador; revolta contra os altos impostos de Portugal; desejo de separar a Bahia da coroa portuguesa; exigência do fim da escravidão e de igualdade social; falta de alimentos e carestia; inspiração dos ideais da França (liberdade, igualdade e fraternidade); soldados exigiam salários melhores e respeito dentro das tropas.

Também historiadora, a dirigente da CTB, Daiana Alcântara parabenizou Patrícia Valim pela palestra. "Atividades como essa ajudam na formação crítica dos dirigentes sindicais. É muito bom resgatar a história e a importância das pessoas negras escravizadas nas lutas do povo brasileiro, especialmente as mulheres", destacou.

